Câncer de Estômago

É a presença de uma lesão maligna oriunda das camadas formadoras da parede gástrica.

O câncer de estômago ainda é uma doença muito freqüente no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essa doença atinge aproximadamente 9 milhões de pessoas por ano.

No Brasil, a incidência do câncer gástrico (estômago) é alta, ficando atrás somente do Chile e da Costa Rica, na America Latina. O câncer de estômago já superou o câncer de pulmão em relação à mortalidade no nosso país.

Essa doença acomete ambos os sexos. No entanto, sua incidência é um pouco maior nos homens do que nas mulheres. Já em relação à idade, é incomum abaixo dos 40 anos, porém, sua incidência aumenta muito em pacientes com mais de 60 anos de idade.

Quais são os fatores de risco para o câncer de estômago?

Vários são os fatores estudados e relacionados como fatores de risco para o desenvolvimento do câncer gástrico. A predisposição familiar é um fator importante, sendo apontado em alguns estudos um risco aproximadamente 3 vezes maior para desenvolver câncer gástrico em pacientes com parentes de primeiro grau que já tiveram a doença. A dieta também pode ser um fator de risco para o câncer gástrico. Alimentos com muito sal e conservantes são relacionados com um maior risco. Os produtos defumados também entram nessa relação.

Pacientes portadores de gastrite atrófica ou que já foram submetidos a cirurgia de retirada parcial do estômago pela técnica de Billroth II há mais de 15 anos também tem risco maior de desenvolver o câncer de estômago em relação a população geral. Por outro lado, uma alimentação rica em frutas e verduras é tida como uma dieta protetora contra o câncer de estômago.

Os pólipos do estômago podem ser formados por diferentes tipos de células, como por exemplo, os pólipos hiperplásicos, pólipos inflamatórios, pólipos de glândulas fúndicas e pólipos adenomatosos (adenomas). Quanto ao fator de risco para o câncer gástrico, os pólipos adenomatosos são os mais temidos.

Devido a alta incidência do Helicobacter pylori em pacientes portadores de câncer gástrico, estudos recentes apontaram essa bactéria também como um fator de risco.

E quais são os sintomas do câncer gástrico?

Através de uma boa história clínica e um detalhado exame físico, o médico pode levantar a suspeita do câncer de estômago. No entanto, em alguns casos os sinais e sintomas podem ser inespecíficos, o que dificultará o diagnóstico da neoplasia (tumor).

A perda de peso, náuseas, vômitos, sensação de saciedade precoce após alimentação, dor abdominal e outros sinais são achados freqüentes no paciente portador de câncer gástrico avançado. Pode haver também palidez cutânea, sinais de desnutrição e hemorragia digestiva.

Ressalta-se que 97% dos pacientes portadores de câncer gástrico referem sintomas de dispepsia (dificuldade de digestão).

Por outro lado, existe o câncer de estômago precoce, ou seja, aquele tumor que está restrito a primeira camada da parede do estômago. Esses tumores geralmente não apresentam sintomas, mas alguns pacientes podem referir sintomas de má digestão.

O diagnóstico do câncer de estômago é difícil?

O diagnóstico do câncer gástrico avançado é bem mais simples de se fazer, pois a lesão é bem evidente. Alguns exames podem ser feitos, como o raio-x com contraste e a endoscopia digestiva alta com biópsia. O raio-x com contraste é um método válido para o diagnóstico, porém, não é capaz de realizar biópsias para confirmação anatomopatológica.

A endoscopia tem um papel muito importante no diagnóstico do câncer de estômago. Através do exame endoscópico é possível visualizar diretamente a lesão, avaliando-se quanto a forma, localização e tamanho. Essas informações podem ser muito úteis para guiar o tratamento. Em adição, pela endoscopia o médico executor é capaz de retirar alguns fragmentos do tumor para análise microscópico e fazer a confirmação do diagnóstico.

Mas a endoscopia só tem papel no diagnóstico do câncer de estômago? E no tratamento?

A endoscopia também está ligada ao tratamento do câncer de estômago. Nos tumores avançados, através da endoscopia podemos realizar procedimentos paliativos para melhorar a qualidade de vida do paciente, como por exemplo, promover a parada do sangramento em tumores que apresentam essa característica ou a desobstrução através de próteses nos tumores de grandes proporções que impedem o trânsito alimentar adequado.

Já para os tumores precoces (restritos a camada mais interna da parede do estômago) a endoscopia pode ser o tratamento, pois através do procedimento endoscópico pode-se realizar a retirada completa da lesão. Atualmente existem algumas técnicas disponíveis para esse procedimento, como a mucosectomia e dissecção submucosa (“ESD”).

E como é o tratamento do câncer de estômago?

Basicamente deve-se saber se o tumor é precoce ou avançado. Nos tumores precoces o procedimento endoscópico pode ser o tratamento de primeira escolha. Nos tumores avançados, a cirurgia pode ser o tratamento inicial, retirando-se parte do estômago e os linfonodos (gânglios) adjacentes. A cirurgia de ressecção de todo o estômago também pode ser realizada.

A quimioterapia e a radioterapia devem ser consideradas conforme a necessidade individual de cada paciente.

É necessário acompanhamento endoscópico após a cirurgia para retirada do câncer de estômago?

Sim. O acompanhamento pela endoscópica deve ser feito conforme preconizado para cada caso ou se alguns sintomas de alerta surgirem nesse período. O exame endoscópico deve ser feito também com o intuito de rastrear o surgimento de novos tumores ou até mesmo a recidiva (retorno) do tumor já retirado.

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