Tratamento da Obesidade: Por que o Brasil Precisa Mudar Sua Mentalidade?

CAPABLOG

No trecho destacado do DrauzioCast, a Dra. Anna Carolina Hoff traz uma reflexão impactante:

Será que não estamos pensando de maneira errada quando o assunto é obesidade?

Entre closes da gravação, conversas técnicas e comentários esclarecedores, a Dra. Anna compara o modelo brasileiro ao de outros países — inclusive alguns considerados mais pobres — e expõe uma verdade desconfortável: o Brasil ainda não entendeu a obesidade como uma doença progressiva, crônica e que exige cuidado contínuo.


🇨🇴 Colômbia: SUS local cobre gastroplastia endoscópica

A Dra. Anna traz um exemplo que surpreende muitas pessoas:

👉 Na Colômbia, o sistema público já paga a gastroplastia endoscópica.

Esse procedimento é usado antes que o paciente precise de uma cirurgia bariátrica.
Por quê?

✔️ Porque o país já entendeu que obesidade é progressiva
✔️ Tratar mais cedo evita agravamentos
✔️ A intervenção precoce reduz custos e complicações
✔️ Não adianta esperar a doença avançar para então agir

Esse simples fato coloca o Brasil atrás de um país com menos recursos, mas com mais visão de futuro.


🇺🇸 Estados Unidos: revisões endoscópicas já são cobertas

Outro ponto citado pela Dra. Anna mostra ainda mais contraste:

👉 Nos EUA, o TORI — procedimento endoscópico revisional — já é pago por alguns planos de saúde.

Isso só acontece porque:

🩺 A obesidade é vista como crônica
🩺 A recidiva faz parte do processo
🩺 O paciente precisa de suporte contínuo
🩺 Ajustes e revisões são etapas naturais do tratamento

Ou seja: lá, os sistemas entendem que uma cirurgia não resolve a obesidade para sempre.


🇧🇷 Brasil: “eu já paguei a bariátrica, o resto é com você”

A crítica central da Dra. Anna é clara:

Aqui, tanto o SUS quanto muitos planos pagam a bariátrica… e nada mais.

Quando o paciente volta a ganhar peso — algo comum e esperado — o sistema simplesmente declara:

❌ “Já paguei o que precisava.”
❌ “Você já teve sua solução.”
❌ “Agora não cubro mais nada.”

Mas como ela explica:

Isso não é uma solução. É uma solução infinita enquanto durou.

A bariátrica ajuda — mas não encerra o tratamento.
A obesidade continua sendo uma doença ativa, progressiva e crônica.


🔄 A obesidade exige acompanhamento contínuo, não um único procedimento

A mensagem central da Dra. Anna é a mesma defendida pela medicina moderna:

  • A obesidade não tem cura, tem controle

  • A bariátrica não é o fim do tratamento

  • A recidiva do peso faz parte da natureza da doença

  • Cabe ao sistema oferecer estratégias contínuas: endoscópicas, multidisciplinares e revisões quando necessárias

Sem isso, o paciente fica sem suporte quando mais precisa.


📌 Conclusão

Enquanto países vizinhos e potências mundiais já adotaram uma visão moderna sobre a obesidade, o Brasil permanece preso ao modelo de intervenção única — insuficiente e injusto com quem luta contra uma doença crônica.

A fala da Dra. Anna deixa evidente:
👉 Precisamos evoluir.
👉 Precisamos acompanhar a ciência.
👉 Precisamos tratar a obesidade como ela é — uma doença progressiva que exige cuidado contínuo.