SUS e Bariátrica: Existe Estrutura Para Acompanhar o Paciente Para Sempre?
Quando falamos em cirurgia bariátrica, não estamos falando de um procedimento isolado — estamos falando de uma doença crônica, progressiva e que exige acompanhamento contínuo.
Mas será que o SUS, em um país tão grande quanto o Brasil, consegue oferecer esse suporte ao longo da vida?
A resposta é: depende da região.
A Dra. Anna Carolina Hoff explica que, em um país continental, existe mais de um SUS convivendo ao mesmo tempo — alguns extremamente eficientes e outros com dificuldades estruturais.
🌎 1. O Brasil é continental — e o SUS também
Quando pensamos em “SUS”, imaginamos uma única estrutura.
Mas na prática, o sistema funciona de maneira muito diferente de acordo com a região.
Há locais onde o acompanhamento é:
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regular
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multidisciplinar
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organizado
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com acesso periódico ao pós-operatório
E há regiões onde isso simplesmente não acontece.
⚖️ 2. Existem SUS que acompanham muito bem — e outros que não
Segundo a Dra. Anna Carolina, há unidades onde o paciente recebe:
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acompanhamento nutricional
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psicologia
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revisões médicas frequentes
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controle metabólico
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suporte contínuo
Mas também existem casos em que o paciente:
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faz a cirurgia
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recebe alta
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e nunca mais tem acompanhamento
O que é extremamente grave, já que a bariátrica não é uma cura, e a obesidade não deixa de existir após o procedimento.
🔄 3. Obesidade é crônica — e o acompanhamento é para a vida toda
Este é o ponto central:
A obesidade não tem alta.
Se fizemos uma intervenção cirúrgica em um momento específico da vida do paciente, precisamos entender que ele vai precisar de acompanhamento sempre.
Isso inclui:
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ajustes de comportamento alimentar
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avaliação emocional
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controle metabólico
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checagem anatômica
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suplementação vitamínica
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monitoramento da perda (ou recidiva) de peso
Interromper esse acompanhamento é colocar todo o processo em risco.
🚨 4. O risco de dar “alta definitiva” após a bariátrica
Infelizmente, ainda há locais onde o paciente é literalmente “desconectado” da equipe após a cirurgia.
Isso é extremamente problemático porque:
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a doença continua
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as mudanças hormonais permanecem
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a absorção pode se modificar
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o comportamento alimentar pode regredir
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o metabolismo reage ao processo
Sem acompanhamento, as chances de complicações aumentam — especialmente reganho de peso, deficiências nutricionais e perda do efeito metabólico da cirurgia.
⭐ Conclusão
O SUS tem potencial e, em muitos lugares, oferece acompanhamento exemplar.
Mas ainda existe desigualdade no acesso e na continuidade do tratamento.
E como a obesidade é crônica, o paciente precisa — sempre — estar amparado por uma equipe, seja no SUS, na saúde suplementar ou no atendimento privado.



