Recidiva de Peso e Microbiota: Por Que Entender Cada Paciente é Essencial no Pós-Bariátrica?
O reganho de peso após a bariátrica é um assunto complexo — e a solução nunca é única.
Segundo a Dra. Anna Carolina Hoff, para entender verdadeiramente o que está acontecendo, é preciso olhar o paciente de forma ampla: emocional, metabólica, nutricional e fisiológica.
No consultório, diversos fatores precisam ser avaliados antes de definir o próximo passo, e um dos pontos mais discutidos atualmente é: mudanças na microbiota podem influenciar o resultado da cirurgia?
Vamos entender melhor.
👥 1. Cada paciente tem uma história — e isso muda tudo
Quando um paciente chega dizendo:
“Fiz minha cirurgia no Mato Grosso, me mudei para São Paulo e não quero mais voltar à equipe que me operou…”
A primeira pergunta que surge é: por quê?
E a resposta geralmente revela fatores importantes, como:
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perda de vínculo com a equipe multidisciplinar
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dificuldades emocionais
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ausência de acompanhamento nutricional
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mudança de cidade e rotina
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problemas pessoais ou sociais
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sensação de julgamento ou falta de acolhimento
Antes de qualquer decisão, é essencial entender profundamente a trajetória desse paciente.
🧩 2. Conversa, escuta e alinhamento da equipe
O primeiro passo sempre é: conversar bastante.
A Dra. Anna Carolina reforça que a equipe precisa:
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revisar todo o histórico cirúrgico
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avaliar exames recentes
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entender queixas e sintomas
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recolher dados sobre hábitos atuais
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analisar o impacto emocional na alimentação
Afinal, tratar o reganho de peso não é matemática — é cuidado contínuo.
🦠 3. A microbiota pode influenciar a resposta à cirurgia?
Sim! Hoje sabemos que a flora bacteriana pode sofrer modificações importantes após a bariátrica.
E em alguns casos, ela pode se adaptar novamente, reduzindo os efeitos iniciais da cirurgia.
Essa adaptação pode influenciar:
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metabolismo
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absorção
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fome e saciedade
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preferência alimentar
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resposta ao emagrecimento
Por isso, a avaliação metabólica completa é parte fundamental da consulta.
🏥 4. O que fazer quando o paciente muda de cidade e perde o acompanhamento?
Isso é mais comum do que parece.
Quando o paciente chega a uma nova equipe, o profissional precisa definir imediatamente o procedimento em seguida, que inclui:
✔️ 1. Reavaliação clínica completa
Exames, histórico, hábitos e relação emocional com a comida.
✔️ 2. Reconstrução do vínculo multidisciplinar
Nutricionista, psicólogo, endoscopista, cirurgião — todos precisam estar alinhados.
✔️ 3. Investigação das causas reais do reganho
Nem sempre é só comportamento.
Pode ser:
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alteração anatômica
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mudança metabólica
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adaptação da microbiota
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estresse emocional
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abandono do pós-operatório
✔️ 4. Definição do plano terapêutico
Pode incluir:
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ajustes nutricionais
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reposicionamento psicológico
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medicamentos
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procedimentos endoscópicos revisonais (como o TORe)
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ou, em casos específicos, avaliações cirúrgicas
🌟 Conclusão
O reganho de peso não é culpa do paciente — é uma combinação multifatorial que envolve corpo, mente e metabolismo.
O papel da equipe é acolher, investigar e cuidar de forma individualizada, especialmente quando o paciente chega sem vínculo com a equipe que o operou.



