Comer as Emoções: Por Que Pacientes com Obesidade Sofrem Mais com a Alimentação Emocional?
A relação entre emoções e alimentação é um tema central no tratamento da obesidade — especialmente quando falamos de reganho de peso após a bariátrica. Embora qualquer pessoa possa viver momentos de estresse, tristeza, perda ou ansiedade, muitos pacientes com obesidade apresentam um padrão diferente: eles tendem a comer suas emoções.
A seguir, você entende por que isso acontece, como isso impacta os resultados e quais pontos precisam ser observados no acompanhamento multidisciplinar.
🧠 1. Comer as emoções: o que isso significa?
Um paciente que nunca teve problemas com peso normalmente consegue separar sentimentos de hábitos alimentares. Já o paciente portador de obesidade, segundo explica a Dra. Anna Carolina Hoff, muitas vezes encontra no alimento uma forma de:
-
alívio emocional
-
conforto imediato
-
compensação durante momentos difíceis
Lutos, separações, estresse no trabalho, filhos saindo de casa… todos nós enfrentamos essas situações.
A diferença está na forma de lidar com elas.
Para muitos pacientes obesos, a comida se torna um mecanismo automático de anestesia emocional — especialmente alimentos densamente calóricos, doces e refeições de fácil gratificação.
🍫 2. Por que o caminho de volta aos hábitos ruins acontece?
Mesmo após tratamento, cirurgia e acompanhamento, pode ocorrer o chamado beliscar compulsivo, abuso de doces ou até aumento no consumo de álcool.
Isso não é “falta de vergonha” ou “falta de força de vontade”:
➡️ É um comportamento profundamente ligado à relação emocional com a comida.
E é aí que o paciente, frente a uma emoção difícil, retorna ao único padrão que o cérebro reconhece como capaz de gerar alívio rápido: comer.
👩⚕️ 3. Por que a conversa com o médico é fundamental?
A Dra. Anna Carolina destaca que sempre inicia discutindo esse ponto com seus pacientes.
Não basta avaliar peso, histórico ou número de cirurgias.
É preciso entender:
-
como o paciente lida com emoções
-
o que dispara o impulso alimentar
-
quais gatilhos emocionais estão ativos
-
como está a adesão à equipe multidisciplinar
O emagrecimento é um processo biopsicossocial, e não apenas calórico.
🧩 4. Comer as emoções não é culpa, é sintoma
O maior erro é atribuir culpa ao paciente.
A obesidade é uma doença crônica e progressiva, e entender suas raízes comportamentais e emocionais é fundamental para:
-
evitar recaídas
-
enfrentar o reganho de peso
-
manter resultados a longo prazo
-
fortalecer o paciente emocionalmente
Reconhecer isso não é fraqueza — é parte do tratamento.
🌟 Conclusão
Pacientes com obesidade geralmente têm uma relação emocional muito forte com a comida, o que torna desafios emocionais situações de alto risco para recaída alimentar.
Por isso, o cuidado contínuo, acolhedor e multidisciplinar é essencial para garantir não apenas perda de peso, mas qualidade de vida real e duradoura.



