Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição caracterizada pelo retorno anormal do conteúdo do estômago e, em alguns casos, do duodeno para o esôfago. Esse refluxo frequente pode provocar irritação da mucosa esofágica, levando ao desenvolvimento da esofagite e de diversos sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida do paciente.
Embora episódios ocasionais de refluxo possam ocorrer em pessoas saudáveis, a DRGE se diferencia por ser persistente, causar sintomas frequentes e, em muitos casos, provocar lesões no esôfago que necessitam de tratamento médico.
O que causa a Doença do Refluxo Gastroesofágico?
A DRGE ocorre devido ao mau funcionamento do mecanismo natural que impede o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.
Entre as causas mais comuns está a hérnia de hiato, condição em que parte do estômago se desloca para o tórax através do diafragma, comprometendo a barreira antirrefluxo existente entre o esôfago e o estômago.
É importante destacar que nem todo episódio de refluxo significa doença. Pequenos refluxos podem ocorrer em situações normais do dia a dia. O problema surge quando o refluxo passa a causar sintomas frequentes, inflamação da mucosa esofágica e prejuízos à saúde, caracterizando o chamado refluxo patológico.
Estudos internacionais demonstram que os sintomas de refluxo estão presentes em aproximadamente 40% da população dos Estados Unidos e em cerca de 50% da população britânica, evidenciando a elevada prevalência da doença.
Quais são os sintomas da DRGE?
O sintoma mais comum da Doença do Refluxo Gastroesofágico é a pirose, popularmente conhecida como azia.
A azia é descrita como uma sensação de queimação localizada na região do tórax, que pode irradiar para a garganta e para a base do pescoço.
Quando ocorre mais de duas vezes por semana e interfere na rotina do paciente, é considerada uma manifestação importante da doença.
Além da azia, outros sintomas podem estar presentes:
• Regurgitação de alimentos ou líquido ácido
• Queimação na garganta
• Excesso de salivação
• Sensação de alimento retornando para a boca
• Dor ou desconforto após as refeições
• Tosse crônica
• Rouquidão
• Pigarro frequente
• Mau hálito
• Sensação de bolo na garganta
Nos casos mais avançados, pode surgir disfagia, que é a dificuldade para engolir alimentos.
Como é feito o diagnóstico da DRGE?
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada.
Uma conversa cuidadosa entre médico e paciente continua sendo uma das ferramentas mais importantes para identificar a doença, principalmente quando existem sintomas típicos de refluxo.
Após o exame clínico, alguns exames complementares podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar possíveis complicações.
Entre os exames mais utilizados estão:
• Endoscopia digestiva alta
• pHmetria esofágica
• Manometria esofágica
• Raio-X contrastado do esôfago, estômago e duodeno
• Cintilografia esofágica
A escolha dos exames depende das características de cada paciente e da intensidade dos sintomas.
Qual a importância da endoscopia digestiva alta?
A endoscopia digestiva alta é o exame mais frequentemente utilizado para avaliar as consequências do refluxo gastroesofágico.
Durante o procedimento, o médico consegue visualizar diretamente a mucosa do esôfago e identificar lesões provocadas pelo contato repetido com o ácido gástrico.
Essas lesões caracterizam a chamada esofagite erosiva.
Além disso, a endoscopia permite:
• Avaliar a gravidade da esofagite
• Identificar hérnia de hiato
• Diagnosticar complicações da DRGE
• Realizar biópsias quando necessário
• Investigar outras doenças que causam sintomas semelhantes
A possibilidade de coleta de material para análise histopatológica é um dos grandes diferenciais do exame.
Quais complicações podem ocorrer?
Embora nem todos os pacientes desenvolvam complicações, sua investigação é fundamental.
Entre as principais complicações da DRGE estão:
• Esofagite erosiva
• Estenose esofágica
• Úlcera esofágica
• Esôfago de Barrett
• Câncer de esôfago
A estenose ocorre quando o processo inflamatório leva ao estreitamento do esôfago, dificultando a passagem dos alimentos.
O Esôfago de Barrett merece atenção especial por ser considerado uma condição pré-maligna associada ao aumento do risco de adenocarcinoma de esôfago.
Felizmente, o câncer de esôfago é uma complicação menos frequente, mas continua sendo uma das maiores preocupações relacionadas à evolução da doença.
A endoscopia também ajuda no tratamento?
Sim.
Além de diagnosticar as complicações, a endoscopia pode ser utilizada em alguns tratamentos específicos, tanto para lesões do esôfago quanto para técnicas modernas voltadas ao controle do refluxo.
Os avanços da endoscopia terapêutica ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento minimamente invasivo para pacientes com DRGE.
Como é feito o tratamento da DRGE?
O tratamento deve ser individualizado e baseado na causa do refluxo.
Quando existe uma hérnia de hiato associada, por exemplo, essa condição também precisa ser considerada no planejamento terapêutico.
Os principais objetivos do tratamento são:
• Aliviar os sintomas
• Promover a cicatrização da esofagite
• Evitar complicações
• Reduzir o risco de recorrência da doença
O tratamento normalmente envolve uma combinação de mudanças de hábitos e medicamentos.
Entre as medidas recomendadas estão:
• Controle do peso corporal
• Evitar refeições volumosas à noite
• Reduzir alimentos gordurosos
• Evitar excesso de cafeína e álcool
• Suspender o tabagismo
• Elevar a cabeceira da cama
• Utilizar medicamentos específicos prescritos pelo médico
Quando a cirurgia pode ser necessária?
O tratamento cirúrgico é reservado para situações específicas.
Ele pode ser indicado quando o paciente apresenta sintomas persistentes apesar do tratamento clínico, hérnia de hiato importante, complicações relacionadas ao refluxo ou quando existe necessidade de correção anatômica da barreira antirrefluxo.
A decisão deve ser tomada após avaliação especializada e análise individual de cada caso.
Conclusão
A Doença do Refluxo Gastroesofágico é uma condição comum que vai muito além de episódios ocasionais de azia. Quando não tratada adequadamente, pode provocar inflamações, alterações estruturais no esôfago e complicações que comprometem a saúde a longo prazo. Felizmente, os avanços no diagnóstico e no tratamento permitem controlar a doença de forma eficaz na maioria dos casos.
Se você convive frequentemente com azia, regurgitação ou sensação de queimação na garganta, vale refletir sobre a possibilidade de estar diante de um quadro de refluxo patológico. Procurar avaliação médica precocemente pode fazer toda a diferença para evitar complicações e preservar a saúde do aparelho digestivo.



